LIBERDADE


"Aqui nesta praia onde não há nenhum vestígio de impureza, aqui onde há somente ondas tombando ininterruptamente, puro espaço e lúcida unidade, aqui o tempo apaixonadamente encontra a própria liberdade."

Sophia de M. B. Andresen

sábado, 3 de agosto de 2013

PEIXE EMBRULHADO

Imagem Google


Ingredientes
2 kg de filé de badejo
150 ml de azeite
4 colheres de sopa de alcaparras lavadas e escorridas
1 cebola grande fatiada
Tomilho fresco a gosto
Pimenta do reino a gosto
Sal a gosto
Papel alumínio para embrulhar

Modo de Fazer
Misture o azeite com as alcaparras, a cebola, o tomilho, a pimenta e o sal.
Cubra um refratário com papel alumínio, deite o filé de badejo e coloque o molho sobre o peixe, embrulhe bem formando um pacote bem fechado.
Leve ao forno para assar por aproximadamente 30 minutos.
Depois de assado, retire do forno, abra com cuidado o pacote e transfira para uma travessa.
Guarneça com batatas cozidas salteadas no azeite e polvilhadas com salsinha. 



domingo, 21 de julho de 2013

MINHA FILHA ANDARILHA


Por
Mércia Carvalho


Já andei de Norte a Sul deste país atrás da minha filha andarilha.
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Nascida em Natal, morou em Brasília, Recife, São Paulo, Macapá, São Borja-RS, Parnaíba-PI e, atualmente, Santa Maria-RS, pense numa menina andeja!
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Não pense que ela é caixeiro-viajante, é professora universitária. Minha filha, quando em busca dos seus objetivos, é a pessoa mais determinada que eu conheço e de quem tenho muito orgulho. Pense numa filha!
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Sempre que podemos, estamos juntas, independente do lugar em que ela esteja. Largo tudo: casa, trabalho, marido e filhos. Lá vou eu lhe fazer um “carinhosinho” de mãe e, agora, também de avó. Aliás, pelos meus filhos vou até a Konchichina.
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Por causa dela tenho tido a oportunidade de conhecer esse Brasil.
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Encantei-me com a região amazônica quando tive oportunidade de conhecer o Amapá. Nunca comi tanto peixe na vida olhando para o rio Amazonas que banha a capital. Até hoje, não esqueço o pirarucu a milanesa com castanha e molho de taperebá – o nosso cajá – prato ganhador de um festival gastronômico e incorporado ao cardápio do Restaurante Cantinho do Baiano em Macapá. Pelo nome percebe-se que o nordestino está em todo lugar...
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A minha avó paterna, de quem herdei o nome e o gosto pelas comidas exóticas da sua região, me fez adorar pupunha, pato no tucupi, tucunaré, pirarucu e por aí vai. Ela era amazonense.
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Só espero que um dia a minha andarilha volte ao seu porto seguro, Natal, mas, enquanto isso não acontece eu vou atrás dela.

06/02/2011

domingo, 14 de julho de 2013

A GALINHA VOADORA


Por
Mércia Carvalho

No princípio dos anos 1980, ainda em Brasília, costumávamos nos finais de semana, reunir a colônia natalense no nosso “clube” para o almoço semanal.
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 Havia sempre uma reunião, mais um motivo de farra, para decidir sobre o que iria ser feito a cada almoço. Naquela semana, a opção do cardápio, sempre calórico, era galinha de cabidela com feijão verde, vindo de Natal e farofa de cuscuz.
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O encarregado pela compra das galinhas foi à Feira do Guará, a mais nordestina das feiras brasilienses, e “inteligentemente” trouxe duas galinhas, vivas! Quem iria sacrificar as pobres coitadas?
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Nenhum dos “meninos corajosos” se habilitou e coube a mim, com a ajuda do meu “cumpade” matá-las. Tadinhas!
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Pegamos à primeira delas e - lembrando-me como na minha infância via minha avó fazer -, pedi que ele a prendesse pisando as asas com um pé e as pernas com o outro, enquanto eu, de posse de um prato fundo com vinagre para colher o sangue, e a faca na outra mão, estava prestes a me torna uma assassina.
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E assim, foi feito. Depenei o pescoço da pobre coitada, dei umas palmadinhas com a faca, para espalhar o sangue, e quando sangrei a bichinha o meu cúmplice no assassinato a soltou. A vítima, ferida de morte, começou a voar e pular, se debatendo até seu instante final. Todos que estavam a nossa volta saíram ensangüentados. Lá se fora a nossa cabidela!
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Mas, ainda faltava à outra para sacrificar e eu, apesar do meu peso pena, me coloquei na posição de abate, mandei aqueles homens “corajosos” saírem e sozinha, assumi e conclui o ritual.

07 de novembro de 2010

domingo, 7 de julho de 2013

EU AQUI PARA VIVER

Fazenda Pavilhão - Nísia Floresta

Por 
Mércia Carvalho


Nasci morrendo e lutando para viver.
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Vim ao mundo através do chamado “nascimento falhado” - em que o bebê nasce com os pés – na nossa casa, em Nísia Floresta, pelas mãos de dona Maria Parteira.
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Batizada com o nome de Maria, pela parteira logo ao nascer, meu pai acrescentou Mércia ao me registrar em homenagem a sua mãe, Maria Mércia, uma bela amazonense filha de portugueses, de lindos olhos cor de anil, de quem, além do nome, herdei a força e a coragem de saber encarar a vida de frente, apesar das adversidades.
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Para conseguir chegar até aqui me agarrei à vida e ela me buscou e me acolheu.  Tive que aprender a vivê-la, caindo, levantando e seguindo sempre em frente. Se hoje levo uma queda, amanhã já estou de pé, reinventada e pronta para mais um desafio.
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Pela vida vou caminhando e aprendendo, semeando com o coração sempre aberto para ajudar, dar, perdoar, entender, unir e amar.
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Às vezes me perco na minha caminhada. Procuro-me e me encontro. Posso até parecer boba, mas não sou burra. Em algumas coisas, ingênua. Mas não sou santa.  Viro uma fera quando necessário. Tenho a alma liberta e um sorriso franco, embora algumas vezes, quando a vida faz as suas exigências, sorria para não chorar.
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Estou em busca da realização dos meus sonhos e desejos. Estou aqui para viver!  

sexta-feira, 28 de junho de 2013

EU NÃO SOU O SEU FILHINHO!

Tomás e  eu

Ele está aqui!
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Tomás, o meu neto, está passando férias na casa da vovó!  
E, durante exatos 13 dias, estarei em recesso para o mundo externo, aproveitando cada momento desta curta temporada. 
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O meu pequeno potiguar, mais gaúcho do que nunca, falante feito um papagaio rolé – puxou a mãe – está a coisinha mais linda do mundo. 
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Não é coisa de avó coruja. Ele é lindo, inteligente, carinhoso, educado, engraçado e como toda criança da sua idade – dois anos e nove meses, feitos hoje – têm suas birras e suas chatices características, nada fora da normalidade. É um “profundo conhecedor” de marcas e modelos de carros. Adora “ler” quando um livro lhe cai às mãos, e vem se chegando pedindo para contar a historinha.
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Tenho feito tudo para ficar ao seu lado aproveitando cada momento para curti-lo e enchê-lo de mimo e carinho. Agrado-o com guloseimas como biscoitos, chocolates, raivinha e brigadeiro, que ele chama de “negrinho”, para sua sobremesa, que ele só tem direito se comer todo o almoço. 
Estou treinando para quando setembro chegar cuidar dele sozinha – a mãe vai participar de um congresso em Recife –e eu possa adivinhar todos os seus gostos e desejos, - coitada da minha filha, tomara que ela não se lembre da placa do jardim onde se lê: “Na casa da vovó tudo pode”-.  
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À noite, depois do banho, enquanto o hidrato com creme, ele já se vira para que eu faça um “carinho de gato” nas costas. Mania que passou dos filhos para o neto. Estou ensinando-o a rezar ao deitar e pedir a benção, hábito que tenho até hoje, já tão fora de moda para tantos. 
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O seu vocabulário é primoroso. Tal qual a mãe quando criança, fala gesticulando e com desenvoltura. Em um dos nossos “papos cabeça” ele se virou para mim e perguntou:
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- Vovó, a minha mãe também saiu da sua barriga bem pequenininha, como eu quando nasci? Respondi que sim e que Lucinha e Dudu, também. Todos “saíram” da barriga da vovó. 
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Olhei para Milena interrogativamente e ela disse que a turminha dele havia tido uma aula na creche sobre o assunto. 
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Sempre que eu o chamo de meu filhinho ele rebate:
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- Eu não sou o seu filhinho! Sou o filhinho da mamãe. Eu sou o seu netinho!
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Santa sabedoria...

domingo, 23 de junho de 2013

Na fogueira de São João eu quero brincar...


Por 
Mércia Carvalho

Neta de baloeiro (naquela época podia soltar balão), filha de pai festeiro chegado a um forró pé de serra e mãe chegada a uma comilança, eu não poderia ter saído de outro jeito e não ser chegada a uma festança com arrasta pé e comes e bebes.
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Desde criança, durante o período junino, assistia meu avô materno fazendo balões, para soltá-los na noite de São João, em frente a sua casa no oitão da igreja, lá em Nísia Floresta.
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Mamãe, junto com todas as suas “afilhadas” se embrenhava na cozinha para dar conta do tacho imenso de canjica e pamonha – naquela época era comum presentear os vizinhos e parentes com um prato de canjica - além de arroz doce, bolo pé-de-moleque, bolo de mandioca mole, bolo de batata doce e por aí vai, enquanto ficávamos a espreita para raspar o tacho da canjica e lamber a tigela de bolo.
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Papai se empenhava em construir a imensa fogueira defronte a casa e comprava caixas e mais caixas de fogos para deleite da meninada.
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Estava armado o nosso arraial.
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No cair da noite meu pai acendia a fogueira e começava a festança e enquanto as espigas de milho e batata doce eram assadas na fogueira, ele fazia a distribuição dos fogos entre a filharada.
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A potência dos fogos ia de acordo com a idade e a coragem de cada um. Eu jamais ia além dos traques de chumbo e das estrelinhas - a cada estouro de uma bomba era um choque que eu levava e um pulo que eu dava -, assistia de longe os meninos maiores estourarem as bombas pirulito em baixo de uma lata só pra ver a altura em que ela ia.
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Lembro certa vez eu estava feliz da vida queimando a minha estrelinha quando minha irmã mais velha chegou do meu lado para soltar um “peido de véia” e o danado explodiu na sua mão. O meu susto foi tão grande que desmaiei.
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Que Santo Antonio, São João e São Pedro me perdoem, mas se existe uma coisa nos festejos juninos que eu não acho a menor graça, são as famosas bombinhas.
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Freud explica.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

DIA DOS NAMORADOS

  
Mércia e Léo

PARA VIVER UM GRANDE AMOR 

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor “in faut”, além de fiel, ser bem conhecedor da arte culinária e do judô - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva obscura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.

Vinícius de Moraes